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sexta-feira, 21 de maio de 2010
QUANDO A NORMALIDADE PASSA A ENTEDIAR
Como uma droga, o estresse vicia...
Não agüento mais! Preciso tirar umas férias!
Na fase de perda do pique ou de depressão orgânica do estresse; todo mundo almeja ir para um lugar e descansar, relaxar. No entanto, logo depois de algumas horas ou de poucos dias longe do corre – corre, o sujeito passa a se entediar e, não vê a hora de voltar ao batente e matar dez leões ao dia; isso, quando consegue realmente se desligar durante o repouso. Abandonar os obsessores eletrônicos: celular e Internet, é um martírio. O estilo de vida atual também suga nossa vitalidade; você sai de férias e continua trabalhando á distância via celular ou Internet – parte pela falta de sensibilidade de algumas chefias nas empresas; parte pela insegurança de alguém na sua ausência desempenhar melhor do que você e tomar seu lugar.
Não vejo a hora de voltar á velha rotina!
Daí vem a pergunta: - será que estou viciado em situações que levam ao estresse?
Podemos dizer que sim; pois, na primeira fase (alarme), os hormônios liberados durante a reação de estresse, criam uma situação de aumento de criatividade e de resolução de situações fora dos antigos padrões; e, a pessoa, sem perceber, passa a buscar mais adrenalina e outros hormônios liberados nessas situações; até em momentos de lazer: esportes radicais ou perigosos, entretenimentos com elevado teor de clima de suspense, terror, etc.
Cuidado:
Férias podem dar crise de abstinência:
Baixou o nível de adrenalina soa o alarme.
Se fosse apenas isso, estava bom!
A lei da inércia que não obedecemos nem no trânsito; também pode dar cabo de nós. A chance de morte súbita; peripaque ou doença física aumenta demais nas paradas: dormir; finais de semana; feriados – e no começo das férias. Já atendi muitos pacientes que costumam dizer: Dr. Acho que fizeram macumba prá mim – é só eu sair de férias que adoeço! – Com certeza este mundo está ficando muito doido; daqui a pouco vai ter gente arrumando a profissão de personal trainer para você sair de férias em segurança.
Férias engordam?
Esse é o fim da picada; pois, em algumas situações; a vida mansa e a saída da rotina não se acompanham da diminuição da ansiedade; e então: dá-lhe comida.
Mas depois, perder esses 3 ou 4 kilinhos a mais, no mínimo, vai dar um estresse danado.
A que ponto nós chegamos:
Se nós sobrevivemos ás férias; depois alguns dias de nos adaptarmos á vida mansa (quase no fim); retornar ao trabalho pode dar deprê ou pânico; pior, se tudo estiver correndo bem por lá; e você descobrir que é facilmente substituível; daí: saí das férias e vou para a terapia.
Além do perigo de entrarmos rapidamente na última fase do estresse crônico; que é a fase de esgotamento e até na de pé na cova; nas férias ou no retorno dela; ainda há o risco de se criar dependência química nas fases de depressão energética e física no pós-estresse.
Podemos criar o hábito do doping com ou sem receita.
Quando precisamos de nos dopar com estimulantes para levar um simples e corriqueiro cotidiano; o futuro é bastante sombrio.
E como não temos botão de liga e desliga; de manhã só pegamos no tranco com a cafeína e colegas - e á noite para dormir só com droga sonífera será preciso entrar num programa de reabilitação para dependentes químicos.
Entrar em qualquer situação desse tipo que vicia é muito fácil; sair é complicado - principalmente devido a dois fatores: falta de vontade e débil honestidade de propósitos.
Me engano porque eu gosto:
Mentimos para nós mesmos; e para os outros; quando dizemos não ser capazes de sair de uma determinada situação viciosa em estresse - na verdade, adoramos a sensação da adrenalina e do medo; daí, desejamos continuar nela e mentimos, tornando a vida complicada em razão da culpa e da própria mentira que gera mais adrenalina...
Mais fácil, eficiente e simples seria admitirmos que ainda não desejo largar o vício da adrenalina a mil; e que aceito assumir as conseqüências; sem desculpas, revolta, nem chororo.
Eliminar a necessidade de vivenciar as sensações do estresse crônico exige discernimento, boa vontade e capacidade de executar. De fato, não é para qualquer um não...
Muito breve algum visionário vai ganhar dinheiro criando um programa de reabilitação para dependentes de altas taxas de adrenalina.
Parece brincadeira; mas, é sério – ficar entediado da vida normal é uma coisa; porém quando começamos a ficar entediados da vida com adrenalina a mil – estamos de partida numa viagem radical para o outro lado da vida. Será que lá tem adrenalina a mil?
Ema, ema, ema, cada um com seus probrema...
Mas:
Por favor; preservem as crianças não as viciem em adrenalina a mil.
O amigo anda entediado; quase deprê?
Pede ajuda pro teu Pai João.
Inventa novos motivos prá viver – zin fio!
Não agüento mais! Preciso tirar umas férias!
Na fase de perda do pique ou de depressão orgânica do estresse; todo mundo almeja ir para um lugar e descansar, relaxar. No entanto, logo depois de algumas horas ou de poucos dias longe do corre – corre, o sujeito passa a se entediar e, não vê a hora de voltar ao batente e matar dez leões ao dia; isso, quando consegue realmente se desligar durante o repouso. Abandonar os obsessores eletrônicos: celular e Internet, é um martírio. O estilo de vida atual também suga nossa vitalidade; você sai de férias e continua trabalhando á distância via celular ou Internet – parte pela falta de sensibilidade de algumas chefias nas empresas; parte pela insegurança de alguém na sua ausência desempenhar melhor do que você e tomar seu lugar.
Não vejo a hora de voltar á velha rotina!
Daí vem a pergunta: - será que estou viciado em situações que levam ao estresse?
Podemos dizer que sim; pois, na primeira fase (alarme), os hormônios liberados durante a reação de estresse, criam uma situação de aumento de criatividade e de resolução de situações fora dos antigos padrões; e, a pessoa, sem perceber, passa a buscar mais adrenalina e outros hormônios liberados nessas situações; até em momentos de lazer: esportes radicais ou perigosos, entretenimentos com elevado teor de clima de suspense, terror, etc.
Cuidado:
Férias podem dar crise de abstinência:
Baixou o nível de adrenalina soa o alarme.
Se fosse apenas isso, estava bom!
A lei da inércia que não obedecemos nem no trânsito; também pode dar cabo de nós. A chance de morte súbita; peripaque ou doença física aumenta demais nas paradas: dormir; finais de semana; feriados – e no começo das férias. Já atendi muitos pacientes que costumam dizer: Dr. Acho que fizeram macumba prá mim – é só eu sair de férias que adoeço! – Com certeza este mundo está ficando muito doido; daqui a pouco vai ter gente arrumando a profissão de personal trainer para você sair de férias em segurança.
Férias engordam?
Esse é o fim da picada; pois, em algumas situações; a vida mansa e a saída da rotina não se acompanham da diminuição da ansiedade; e então: dá-lhe comida.
Mas depois, perder esses 3 ou 4 kilinhos a mais, no mínimo, vai dar um estresse danado.
A que ponto nós chegamos:
Se nós sobrevivemos ás férias; depois alguns dias de nos adaptarmos á vida mansa (quase no fim); retornar ao trabalho pode dar deprê ou pânico; pior, se tudo estiver correndo bem por lá; e você descobrir que é facilmente substituível; daí: saí das férias e vou para a terapia.
Além do perigo de entrarmos rapidamente na última fase do estresse crônico; que é a fase de esgotamento e até na de pé na cova; nas férias ou no retorno dela; ainda há o risco de se criar dependência química nas fases de depressão energética e física no pós-estresse.
Podemos criar o hábito do doping com ou sem receita.
Quando precisamos de nos dopar com estimulantes para levar um simples e corriqueiro cotidiano; o futuro é bastante sombrio.
E como não temos botão de liga e desliga; de manhã só pegamos no tranco com a cafeína e colegas - e á noite para dormir só com droga sonífera será preciso entrar num programa de reabilitação para dependentes químicos.
Entrar em qualquer situação desse tipo que vicia é muito fácil; sair é complicado - principalmente devido a dois fatores: falta de vontade e débil honestidade de propósitos.
Me engano porque eu gosto:
Mentimos para nós mesmos; e para os outros; quando dizemos não ser capazes de sair de uma determinada situação viciosa em estresse - na verdade, adoramos a sensação da adrenalina e do medo; daí, desejamos continuar nela e mentimos, tornando a vida complicada em razão da culpa e da própria mentira que gera mais adrenalina...
Mais fácil, eficiente e simples seria admitirmos que ainda não desejo largar o vício da adrenalina a mil; e que aceito assumir as conseqüências; sem desculpas, revolta, nem chororo.
Eliminar a necessidade de vivenciar as sensações do estresse crônico exige discernimento, boa vontade e capacidade de executar. De fato, não é para qualquer um não...
Muito breve algum visionário vai ganhar dinheiro criando um programa de reabilitação para dependentes de altas taxas de adrenalina.
Parece brincadeira; mas, é sério – ficar entediado da vida normal é uma coisa; porém quando começamos a ficar entediados da vida com adrenalina a mil – estamos de partida numa viagem radical para o outro lado da vida. Será que lá tem adrenalina a mil?
Ema, ema, ema, cada um com seus probrema...
Mas:
Por favor; preservem as crianças não as viciem em adrenalina a mil.
O amigo anda entediado; quase deprê?
Pede ajuda pro teu Pai João.
Inventa novos motivos prá viver – zin fio!
sábado, 15 de maio de 2010
ANSIEDADE - FLUXOS E REFLUXOS
Especialmente no alucinante ritmo do estilo de vida atual, temos cada vez mais dificuldade em separar realidade de ilusão; situações concretas das imaginárias. Nossa mente está inquieta e perdendo a conexão; daí, quem paga o pato é o corpo físico, inevitavelmente.
Numa pessoa relativamente equilibrada o diálogo íntimo entre instintos, razão e emoções, flui naturalmente.
A mente é a natural mediadora do processo e quando ela está com problemas é lógico que haja descontrole e doença.
Na atualidade duas emoções saíram de controle: Ansiedade e Medo.
Hoje vamos nos deter na ansiedade doentia e alguns distúrbios cada dia mais comuns no corpo físico; nos quais sua participação é decisiva: Aerofagia - a ansiedade nos levou rapidamente a uma respiração curta e superficial; daí, durante a fala mais ar vai ao aparelho digestivo do que ao pulmão. Em conseqüência disso, estamos arrotando muito mais do que o habitual (antes era só dieta errada que conduzia á fermentação) – algumas pessoas vivem um problema angustiante, pois emitem pequenos arrotos durante a fala; e isso, as deixa constrangidas e mais ansiosas levando a uma perda significativa da qualidade de vida. As evacuações estão ficando incompletas; pois, no intestino entre as partes de bolo fecal ficam áreas com ar; ao sair a primeira parte das fezes, até que saia o ar a vontade foi embora; e a pessoa fica com a desagradável sensação de mal estar abdominal.
Um sério problema é que o arroto é uma forma de refluxo; pois, o ar que retorna do estômago vem com resíduos de ácido clorídrico; e do estômago para cima as células de revestimento não estavam preparadas para isso – desse modo, hoje convivemos com processos inflamatórios crônicos, em muitas pessoas, ainda assintomáticos: esofagite; laringite; faringite; dor de ouvido recorrente e otite média (era ocorrência comum na infância devido ao aumento das amígdalas que terminavam por obstruir a saída da tuba auditiva que faz a drenagem das secreções produzidas pelas células de revestimento do ouvido médio – a alta incidência em adultos hoje se deve ao problema da faringite crônica cujas células hipertrofiadas fazem o papel da amígdala ao impedir a drenagem); rinite e sinusite (antes desse evento eram causadas apenas pelas alergias).
Nesse contexto, o perigo maior é a esofagite crônica capaz de levar a um aumento dos casos de câncer na região; pois, todo processo inflamatório crônico é um terreno muito favorável para tal acontecimento.
A tendência é que os processos sejam agravados com os tratamentos; pois, ao invés de atuar nas causas básicas para resolver de vez os problemas; ainda bloqueamos as defesas do organismo: tosse, coriza, espirros, muco, com remédios.
Mas, o que é Ansiedade doentia; uma das matérias primas desses problemas?
Ansiedade é imaginação.
Ansiedade é uma fantasia ameaçadora sobre o futuro, nela misturam-se e convive o medo e a pressa.
Como reação à ansiedade a mente produz um tipo de excitação orgânica que gera uma produção maior de mediadores químicos da reação natural ao estresse, como catecolaminas, adrenalina, cortisol. Se não houver diálogo nem comunicação entre o corpo físico e o corpo mental/emocional, o organismo vai se preparar para reagir a um acontecimento que nem sempre faz parte da realidade. A luta contra uma ilusão ou um fruto da imaginação é capaz de produzir: diarréia, suor excessivo, aceleração dos batimentos cardíacos, palpitações, sensação de calor ou calafrios, maratonas de exames, internações hospitalares, agressividade, depressão doentia, angustia existencial, pânico, enfim: a morte em vida...
Alerta máximo.
Para não apagar ou sentir-se um morto em vida:
Se o desafio a ser superado é real, a energia liberada pode ajudá-lo em determinada atividade ou colaborar para resolver a experiência em andamento; se o desafio é virtual, não há nada que possa ser feito e toda energia será descarregada nas reações orgânicas gerando os sintomas da ansiedade mórbida ou uma crise de pânico. A mesma situação pode ocorrer quando o desafio é concreto, mas, existe recusa em enfrentá-lo como uma experiência a ser dominada; e pior, é quando, o indivíduo soma a tudo isso, expectativas catastróficas e previsões de acontecimentos ou desdobramentos futuros carregados de sofrer.
Não ser capaz de separar a realidade da imaginação pode ser catastrófico na vida, portanto inicie logo um treinamento para capacitá-lo a identificar fantasias, ilusões e expectativas. E integre essa capacidade ao circuito da comunicação interna entre os vários corpos. Intensifique e use o recurso do diálogo íntimo para não correr riscos inúteis. Pois nem sempre, após ter identificado uma situação causadora de mal estar ou angustia como sendo uma fantasia, você estará capacitado a interromper o processo.
Exercício.
Para conseguir quebrar o circuito um recurso simples, é fixar-se no corpo físico. Feche os olhos, respire fundo e focalize sua consciência na sua respiração, no seu corpo, com isso, o contato com a ameaça é rompido, e você recupera o contato com a realidade em andamento; repita o processo; até que consiga serenar-se e voltar á realidade.
Não se desgaste nem perca tempo e energia com censuras às manifestações provocadas pela ansiedade gerada pela fantasia. E não se preocupe em tentar esconder dos outros os sintomas, evite preocupar-se sobre o que vão pensar de você; pois com isso, ficará constrangido e aumentará as secreções orgânicas e o mal estar.
Dica.
Se tiver vontade de chorar: chore. Em certos momentos chorar faz bem.
Solução?
Temporária: uso de medicamentos, evitando na medida do possível os remédios químicos. Isso vale tanto para os efeitos da ansiedade mórbida quanto para a própria; que pode ser considerado um distúrbio da personalidade e, personalidade não se constrói nem desconstrói com remédios; mas, com esforço e conhecimento de nós mesmos.
Planeje usar remédios pelo tempo mais curto possível; pois, as recaídas serão cada vez mais rápidas
Definitiva:
Reforma da personalidade – mudança de hábitos – aprenda a fazer uma coisa de cada vez – viva um dia após o outro – não invente problemas e aprenda a separar os seus dos das outras pessoas – planeje sua vida – não faça tarefa dos outros.
Ferramentas auxiliares: aprender a meditar para acalmar a mente (invente o seu jeito) – reaprender a respirar – atividade física regular – evitar os alimentos que fermentam e os excitantes – criar uma rotina para evacuar.
Dicas práticas:
Faça fisioterapia para desobstruir a tuba auditiva – encha bexiga (10x) uma vez ao dia.
Nas fases de acúmulo de gases faça um chá com erva doce (1colher de chá) e algumas raspas de noz noscada; para 1 copo de água; assim que levantar fervura, desligue, abafe e tome aos poucos.
Lave os olhos e o nariz várias vezes ao dia.
Acima de tudo não acredite em curas milagrosas com remédios – faça seu próprio milagre – cure-se; que até o planeta agradece.
Numa pessoa relativamente equilibrada o diálogo íntimo entre instintos, razão e emoções, flui naturalmente.
A mente é a natural mediadora do processo e quando ela está com problemas é lógico que haja descontrole e doença.
Na atualidade duas emoções saíram de controle: Ansiedade e Medo.
Hoje vamos nos deter na ansiedade doentia e alguns distúrbios cada dia mais comuns no corpo físico; nos quais sua participação é decisiva: Aerofagia - a ansiedade nos levou rapidamente a uma respiração curta e superficial; daí, durante a fala mais ar vai ao aparelho digestivo do que ao pulmão. Em conseqüência disso, estamos arrotando muito mais do que o habitual (antes era só dieta errada que conduzia á fermentação) – algumas pessoas vivem um problema angustiante, pois emitem pequenos arrotos durante a fala; e isso, as deixa constrangidas e mais ansiosas levando a uma perda significativa da qualidade de vida. As evacuações estão ficando incompletas; pois, no intestino entre as partes de bolo fecal ficam áreas com ar; ao sair a primeira parte das fezes, até que saia o ar a vontade foi embora; e a pessoa fica com a desagradável sensação de mal estar abdominal.
Um sério problema é que o arroto é uma forma de refluxo; pois, o ar que retorna do estômago vem com resíduos de ácido clorídrico; e do estômago para cima as células de revestimento não estavam preparadas para isso – desse modo, hoje convivemos com processos inflamatórios crônicos, em muitas pessoas, ainda assintomáticos: esofagite; laringite; faringite; dor de ouvido recorrente e otite média (era ocorrência comum na infância devido ao aumento das amígdalas que terminavam por obstruir a saída da tuba auditiva que faz a drenagem das secreções produzidas pelas células de revestimento do ouvido médio – a alta incidência em adultos hoje se deve ao problema da faringite crônica cujas células hipertrofiadas fazem o papel da amígdala ao impedir a drenagem); rinite e sinusite (antes desse evento eram causadas apenas pelas alergias).
Nesse contexto, o perigo maior é a esofagite crônica capaz de levar a um aumento dos casos de câncer na região; pois, todo processo inflamatório crônico é um terreno muito favorável para tal acontecimento.
A tendência é que os processos sejam agravados com os tratamentos; pois, ao invés de atuar nas causas básicas para resolver de vez os problemas; ainda bloqueamos as defesas do organismo: tosse, coriza, espirros, muco, com remédios.
Mas, o que é Ansiedade doentia; uma das matérias primas desses problemas?
Ansiedade é imaginação.
Ansiedade é uma fantasia ameaçadora sobre o futuro, nela misturam-se e convive o medo e a pressa.
Como reação à ansiedade a mente produz um tipo de excitação orgânica que gera uma produção maior de mediadores químicos da reação natural ao estresse, como catecolaminas, adrenalina, cortisol. Se não houver diálogo nem comunicação entre o corpo físico e o corpo mental/emocional, o organismo vai se preparar para reagir a um acontecimento que nem sempre faz parte da realidade. A luta contra uma ilusão ou um fruto da imaginação é capaz de produzir: diarréia, suor excessivo, aceleração dos batimentos cardíacos, palpitações, sensação de calor ou calafrios, maratonas de exames, internações hospitalares, agressividade, depressão doentia, angustia existencial, pânico, enfim: a morte em vida...
Alerta máximo.
Para não apagar ou sentir-se um morto em vida:
Se o desafio a ser superado é real, a energia liberada pode ajudá-lo em determinada atividade ou colaborar para resolver a experiência em andamento; se o desafio é virtual, não há nada que possa ser feito e toda energia será descarregada nas reações orgânicas gerando os sintomas da ansiedade mórbida ou uma crise de pânico. A mesma situação pode ocorrer quando o desafio é concreto, mas, existe recusa em enfrentá-lo como uma experiência a ser dominada; e pior, é quando, o indivíduo soma a tudo isso, expectativas catastróficas e previsões de acontecimentos ou desdobramentos futuros carregados de sofrer.
Não ser capaz de separar a realidade da imaginação pode ser catastrófico na vida, portanto inicie logo um treinamento para capacitá-lo a identificar fantasias, ilusões e expectativas. E integre essa capacidade ao circuito da comunicação interna entre os vários corpos. Intensifique e use o recurso do diálogo íntimo para não correr riscos inúteis. Pois nem sempre, após ter identificado uma situação causadora de mal estar ou angustia como sendo uma fantasia, você estará capacitado a interromper o processo.
Exercício.
Para conseguir quebrar o circuito um recurso simples, é fixar-se no corpo físico. Feche os olhos, respire fundo e focalize sua consciência na sua respiração, no seu corpo, com isso, o contato com a ameaça é rompido, e você recupera o contato com a realidade em andamento; repita o processo; até que consiga serenar-se e voltar á realidade.
Não se desgaste nem perca tempo e energia com censuras às manifestações provocadas pela ansiedade gerada pela fantasia. E não se preocupe em tentar esconder dos outros os sintomas, evite preocupar-se sobre o que vão pensar de você; pois com isso, ficará constrangido e aumentará as secreções orgânicas e o mal estar.
Dica.
Se tiver vontade de chorar: chore. Em certos momentos chorar faz bem.
Solução?
Temporária: uso de medicamentos, evitando na medida do possível os remédios químicos. Isso vale tanto para os efeitos da ansiedade mórbida quanto para a própria; que pode ser considerado um distúrbio da personalidade e, personalidade não se constrói nem desconstrói com remédios; mas, com esforço e conhecimento de nós mesmos.
Planeje usar remédios pelo tempo mais curto possível; pois, as recaídas serão cada vez mais rápidas
Definitiva:
Reforma da personalidade – mudança de hábitos – aprenda a fazer uma coisa de cada vez – viva um dia após o outro – não invente problemas e aprenda a separar os seus dos das outras pessoas – planeje sua vida – não faça tarefa dos outros.
Ferramentas auxiliares: aprender a meditar para acalmar a mente (invente o seu jeito) – reaprender a respirar – atividade física regular – evitar os alimentos que fermentam e os excitantes – criar uma rotina para evacuar.
Dicas práticas:
Faça fisioterapia para desobstruir a tuba auditiva – encha bexiga (10x) uma vez ao dia.
Nas fases de acúmulo de gases faça um chá com erva doce (1colher de chá) e algumas raspas de noz noscada; para 1 copo de água; assim que levantar fervura, desligue, abafe e tome aos poucos.
Lave os olhos e o nariz várias vezes ao dia.
Acima de tudo não acredite em curas milagrosas com remédios – faça seu próprio milagre – cure-se; que até o planeta agradece.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
TECNONÊUTICA – UMA NOVA E MORTAL DOENÇA NA PRAÇA
Neste mundo a mil; cada vez fica mais difícil diagnosticar velhas patologias sem a ajuda dos tão falíveis exames de laboratório; quanto mais as novas – pois, os sintomas estão cada vez mais embaralhados. E os profissionais da saúde desaprenderam; ou melhor; não aprenderam a arte de estudar o paciente ou Propedêutica, para que se faça o diagnóstico; com a inestimável ajuda da Hermenêutica; sua continuidade. As duas foram substituídas por uma doença no diagnóstico médico ainda sem nome; mas que pode ser chamada pelo seu apelido: Tecnonêutica - uma aberração modernosa.
PROPEDÊUTICA?
Fem, aquilo que oferece ensinamento preparatório ou introdutório.
Em medicina é a Cadeira de Propedêutica inclusa no terceiro ano e tem como objetivos gerais, ensinar o aluno a fazer uma correta História Clínica do doente. Para se atingir esse objetivo é necessário que o aluno tenha conhecimentos de anatomia, fisiologia, patologia e outras áreas do conhecimento médico como clinica médica, cirúrgica, psicologia e medicina comunitária.
Mas, para isso, é preciso que ao menos disponha de tempo para ouvir o paciente ou quem possa fornecer informações adequadas sobre ele.
Neste caso o médico de família leva alguma vantagem para errar menos.
A especialidade médica que mais usa a propedêutica é a Homeopatia.
Uma dos maiores inimigos da Propedêutica é o sistema de saúde atual onde tempo é dinheiro (esse é o motivo pelo qual homeopatia e convênio médico não combinam nem dá certo); quanto mais remédio se consome melhor – quanto mais se usa a tecnonêutica mais alguns ganham; e muitos perdem a qualidade de vida; a saúde; a dignidade; mas, isso, é apenas um necessário efeito colateral do sistema neurótico de viver segundo seus defensores. Efeitos colaterais fazem parte do sistema.
A Hermenêutica deveria gerir todos os recursos; mas, ela cedeu lugar á visão hermética de mentes oportunistas e dogmáticas que desejam dar todo poder á tecnonêutica em prejuízo da propedêutica e da hermenêutica.
HERMENÊUTICA?
Um ramo da filosofia que debate a compreensão humana e a interpretação de textos escritos ou não: gráficos, exames, etc.
Na tentativa de homenagear o deus Hermes o patrono da linguagem, escrita, da comunicação e do entendimento humano – com certeza, já deve ter sido destronado; pois, como a maioria dos deuses deste universo provou ser uma cósmica farsa.
No início do século XIX ela entrou para o âmbito da filosofia como a teoria geral da compreensão.
No nosso caso, isso, quer dizer que todo médico deve ser um filósofo? Um especialista em Hermenêutica? – Então; nós estamos em maus lençóis; pois, está provado que a maioria dos profissionais graduados neste país (e não apenas médicos); são incapazes de compreender um texto de poucas laudas; quanto mais se tornar um hermeneuta diagnosticador e curador ou legislador.
Médico legislador?
Yes mano – muitos profissionais do alto da cátedra da sua visão e dos seus interesses ditam para os outros; o que fazer.
Cuidado; ás vezes você está sendo tratado segundo as leis da medicina oficial e pode pedir revisão de conduta; apenas do outro lado da vida; perante a justiça natural.
A hermenêutica abarca a totalidade do ser humano.
Pior ainda, para os viventes da arte da cura desta Era; pois nos especializamos até em dedão do pé esquerdo. A especialização precoce, nem sempre inteligente; ás vezes é inútil; e uma das causas do desastre que se avizinha na qualidade de vida das pessoas; cujo dedão do pé esquerdo está artrosado e inflamado apenas por que a mente preguiçosa não pensa.
Nem tudo que é antigo não serve mais (mesmo em se tratando de tecnologia):
Scheleiermacher (1768-1834) dá uma dica de como dever ser a compreensão da comunicação na vida humana:
• Compreensão comparativa: Se apóia em uma multiplicidade de conhecimentos objetivos, gramaticais e históricos, deduzindo o sentido a partir do enunciado (no caso: conjunto de queixas do paciente e seu modus vivente).
• Compreensão divinatória: Significa uma adivinhação imediata ou apreensão imediata do sentido de um texto (que necessita de um embasamento de saber e feeling – por isso; há profissionais e profissionais com muito ou pouco saber).
Essas distinções apontam para aspectos da compreensão superior que se dá pela sua integração. Ora, o futuro não será dos mais agradáveis; pois, o conhecimento médico moderno está sendo desintegrado a olhos vistos.
Posteriormente, com os trabalhos de Droysen e Dilthey, o procedimento hermenêutico tornou-se a metodologia das ciências humanas.
Os eventos da natureza devem ser explicados, mas a história, os eventos históricos, os valores e a cultura devem ser compreendidos – Quem é essa pessoa? – Quem é esse paciente? Qual sua visão de mundo? Qual é seu sistema de crenças? Com quem convive? Quais seus sonhos, expectativas, habilidades ou a falta delas?
(Wilhelm Dilthey é primeiro a formular a dualidade de "ciências da natureza e ciências do espírito", que se distinguem por meio de um método analítico esclarecedor e um procedimento de compreensão descritiva.) O que é espírito? Mente? Conjunto de mente, emoções e sensações? – O que dizer para uma pessoa de inteligência religiosa precário que seu problema reside também num processo obsessivo externo – a ação de uma mente externa sobre a sua?
Compreensão é apreensão de um sentido, e sentido é o que se apresenta à compreensão como conteúdo. Como medicar uma pessoa que não foi estudada e sentida?
Só podemos determinar a compreensão pelo sentido e o sentido apenas pela compreensão. Se não estudarmos o doente como ajudá-lo a compreender a origem de seus problemas – sem eliminar a causa; imaginar que os efeitos vão desaparecer é esquizofrenia.
As ciências médicas da atualidade são esquizofrênicas?
Heidegger, em sua análise da compreensão, diz que toda compreensão apresenta uma "estrutura circular". "Toda interpretação, para produzir compreensão, deve já ter compreendido o que vai interpretar". O cerne da teoria de Heidegger está, todavia, na ontologização da compreensão e da interpretação como aspectos do ser do ente que compreende o ser, o "Dasein".
Estruturas básicas da compreensão (inclusive do processo de saúde/doença/cura)
• Estrutura de horizonte: o conteúdo singular é apreendido a partir da totalidade de um contexto de sentido, que é pré-apreendido e co-apreendido (no caso; necessidade de uma educação de berço mais ética; de uma formação médica mais humanizada – seguida de uma valorização da pessoa; para apenas depois saber como ajudá-la a se curar).
• Estrutura circular: A compreensão acontece a partir de um movimento de ir e vir entre pré-compreensão e compreensão da coisa, como um acontecimento que progride em forma de espiral; na medida em que um elemento pressupõe outro; e ao mesmo tempo faz com que se possa ir adiante; e sem pressa; pois, pouco adianta a pré compreensão da doença; se não queremos despender tempo para ajudar na cura).
• Estrutura de diálogo: A compreensão sempre é apreensão do estranho e está aberta à modificação das pressuposições iniciais diante da diferença produzida pelo outro (o texto, o interlocutor – em se tratando de doenças e doentes; cada caso é um caso – nesse ponto novamente a homeopatia leva vantagem ao tratar doentes e não doenças).
• Estrutura de mediação: A compreensão visa um dado que se dá por si mesmo, mas a sua apreensão faz-se pela mediação da tradição e da linguagem. Muitas pessoas têm sua qualidade de vida detonada pela notícia feita de forma mecânica – ou quando lêem exames que não compreendem ou buscam informações isoladas na Internet.
Os costumes, cultura e etnias são alguns dos aspectos fundamentais para se ter uma legítima interpretação do texto – Conhecer quem é aquela pessoa pode fazer toda a diferença na tentativa de se conseguir uma cura definitiva ou uma melhor substancial na qualidade de vida.
Explicação e compreensão
Segundo Wilhelm Dilthey, estes dois métodos estariam opostos entre si: explicação (próprio das ciências naturais) e compreensão (próprio das ciências do espírito ou ciências humanas):
"Esclarecemos por meio de processos intelectuais, mas compreendemos pela cooperação de todas as forças sentimentais na apreensão, pelo mergulhar das forças sentimentais no objeto."
Paul Ricoeur visa superar esta dicotomia. Para ele, compreender um texto (no caso, um doente) é encadear um novo discurso no discurso do texto. Isto supõe que o texto seja aberto (que uma boa propedêutica tenha sido feita).
Ler é apropriar-se do sentido do texto (avaliar, estudar, discutir com o próprio interessado). De um lado não há reflexão sem meditação sobre os sinais e as evidências; do outro, não há explicação sem a compreensão do mundo e de si mesmo.
Resumindo:
Procure saber se o seu médico é especialista em Propedêutica, Hermenêutica, Tecnêutica ou em Enrrolonêutica ou em Economêutica.
Não é difícil saber – basta atenção e um mínimo de QI.
Questões interessantes a serem observadas:
Quem pediu os exames? Você ou o seu médico?
Ele lê os exames ou os estuda?
Dica:
Você é uma pessoa Tecnêuta ou Hermenêutica?
(Continua).
PROPEDÊUTICA?
Fem, aquilo que oferece ensinamento preparatório ou introdutório.
Em medicina é a Cadeira de Propedêutica inclusa no terceiro ano e tem como objetivos gerais, ensinar o aluno a fazer uma correta História Clínica do doente. Para se atingir esse objetivo é necessário que o aluno tenha conhecimentos de anatomia, fisiologia, patologia e outras áreas do conhecimento médico como clinica médica, cirúrgica, psicologia e medicina comunitária.
Mas, para isso, é preciso que ao menos disponha de tempo para ouvir o paciente ou quem possa fornecer informações adequadas sobre ele.
Neste caso o médico de família leva alguma vantagem para errar menos.
A especialidade médica que mais usa a propedêutica é a Homeopatia.
Uma dos maiores inimigos da Propedêutica é o sistema de saúde atual onde tempo é dinheiro (esse é o motivo pelo qual homeopatia e convênio médico não combinam nem dá certo); quanto mais remédio se consome melhor – quanto mais se usa a tecnonêutica mais alguns ganham; e muitos perdem a qualidade de vida; a saúde; a dignidade; mas, isso, é apenas um necessário efeito colateral do sistema neurótico de viver segundo seus defensores. Efeitos colaterais fazem parte do sistema.
A Hermenêutica deveria gerir todos os recursos; mas, ela cedeu lugar á visão hermética de mentes oportunistas e dogmáticas que desejam dar todo poder á tecnonêutica em prejuízo da propedêutica e da hermenêutica.
HERMENÊUTICA?
Um ramo da filosofia que debate a compreensão humana e a interpretação de textos escritos ou não: gráficos, exames, etc.
Na tentativa de homenagear o deus Hermes o patrono da linguagem, escrita, da comunicação e do entendimento humano – com certeza, já deve ter sido destronado; pois, como a maioria dos deuses deste universo provou ser uma cósmica farsa.
No início do século XIX ela entrou para o âmbito da filosofia como a teoria geral da compreensão.
No nosso caso, isso, quer dizer que todo médico deve ser um filósofo? Um especialista em Hermenêutica? – Então; nós estamos em maus lençóis; pois, está provado que a maioria dos profissionais graduados neste país (e não apenas médicos); são incapazes de compreender um texto de poucas laudas; quanto mais se tornar um hermeneuta diagnosticador e curador ou legislador.
Médico legislador?
Yes mano – muitos profissionais do alto da cátedra da sua visão e dos seus interesses ditam para os outros; o que fazer.
Cuidado; ás vezes você está sendo tratado segundo as leis da medicina oficial e pode pedir revisão de conduta; apenas do outro lado da vida; perante a justiça natural.
A hermenêutica abarca a totalidade do ser humano.
Pior ainda, para os viventes da arte da cura desta Era; pois nos especializamos até em dedão do pé esquerdo. A especialização precoce, nem sempre inteligente; ás vezes é inútil; e uma das causas do desastre que se avizinha na qualidade de vida das pessoas; cujo dedão do pé esquerdo está artrosado e inflamado apenas por que a mente preguiçosa não pensa.
Nem tudo que é antigo não serve mais (mesmo em se tratando de tecnologia):
Scheleiermacher (1768-1834) dá uma dica de como dever ser a compreensão da comunicação na vida humana:
• Compreensão comparativa: Se apóia em uma multiplicidade de conhecimentos objetivos, gramaticais e históricos, deduzindo o sentido a partir do enunciado (no caso: conjunto de queixas do paciente e seu modus vivente).
• Compreensão divinatória: Significa uma adivinhação imediata ou apreensão imediata do sentido de um texto (que necessita de um embasamento de saber e feeling – por isso; há profissionais e profissionais com muito ou pouco saber).
Essas distinções apontam para aspectos da compreensão superior que se dá pela sua integração. Ora, o futuro não será dos mais agradáveis; pois, o conhecimento médico moderno está sendo desintegrado a olhos vistos.
Posteriormente, com os trabalhos de Droysen e Dilthey, o procedimento hermenêutico tornou-se a metodologia das ciências humanas.
Os eventos da natureza devem ser explicados, mas a história, os eventos históricos, os valores e a cultura devem ser compreendidos – Quem é essa pessoa? – Quem é esse paciente? Qual sua visão de mundo? Qual é seu sistema de crenças? Com quem convive? Quais seus sonhos, expectativas, habilidades ou a falta delas?
(Wilhelm Dilthey é primeiro a formular a dualidade de "ciências da natureza e ciências do espírito", que se distinguem por meio de um método analítico esclarecedor e um procedimento de compreensão descritiva.) O que é espírito? Mente? Conjunto de mente, emoções e sensações? – O que dizer para uma pessoa de inteligência religiosa precário que seu problema reside também num processo obsessivo externo – a ação de uma mente externa sobre a sua?
Compreensão é apreensão de um sentido, e sentido é o que se apresenta à compreensão como conteúdo. Como medicar uma pessoa que não foi estudada e sentida?
Só podemos determinar a compreensão pelo sentido e o sentido apenas pela compreensão. Se não estudarmos o doente como ajudá-lo a compreender a origem de seus problemas – sem eliminar a causa; imaginar que os efeitos vão desaparecer é esquizofrenia.
As ciências médicas da atualidade são esquizofrênicas?
Heidegger, em sua análise da compreensão, diz que toda compreensão apresenta uma "estrutura circular". "Toda interpretação, para produzir compreensão, deve já ter compreendido o que vai interpretar". O cerne da teoria de Heidegger está, todavia, na ontologização da compreensão e da interpretação como aspectos do ser do ente que compreende o ser, o "Dasein".
Estruturas básicas da compreensão (inclusive do processo de saúde/doença/cura)
• Estrutura de horizonte: o conteúdo singular é apreendido a partir da totalidade de um contexto de sentido, que é pré-apreendido e co-apreendido (no caso; necessidade de uma educação de berço mais ética; de uma formação médica mais humanizada – seguida de uma valorização da pessoa; para apenas depois saber como ajudá-la a se curar).
• Estrutura circular: A compreensão acontece a partir de um movimento de ir e vir entre pré-compreensão e compreensão da coisa, como um acontecimento que progride em forma de espiral; na medida em que um elemento pressupõe outro; e ao mesmo tempo faz com que se possa ir adiante; e sem pressa; pois, pouco adianta a pré compreensão da doença; se não queremos despender tempo para ajudar na cura).
• Estrutura de diálogo: A compreensão sempre é apreensão do estranho e está aberta à modificação das pressuposições iniciais diante da diferença produzida pelo outro (o texto, o interlocutor – em se tratando de doenças e doentes; cada caso é um caso – nesse ponto novamente a homeopatia leva vantagem ao tratar doentes e não doenças).
• Estrutura de mediação: A compreensão visa um dado que se dá por si mesmo, mas a sua apreensão faz-se pela mediação da tradição e da linguagem. Muitas pessoas têm sua qualidade de vida detonada pela notícia feita de forma mecânica – ou quando lêem exames que não compreendem ou buscam informações isoladas na Internet.
Os costumes, cultura e etnias são alguns dos aspectos fundamentais para se ter uma legítima interpretação do texto – Conhecer quem é aquela pessoa pode fazer toda a diferença na tentativa de se conseguir uma cura definitiva ou uma melhor substancial na qualidade de vida.
Explicação e compreensão
Segundo Wilhelm Dilthey, estes dois métodos estariam opostos entre si: explicação (próprio das ciências naturais) e compreensão (próprio das ciências do espírito ou ciências humanas):
"Esclarecemos por meio de processos intelectuais, mas compreendemos pela cooperação de todas as forças sentimentais na apreensão, pelo mergulhar das forças sentimentais no objeto."
Paul Ricoeur visa superar esta dicotomia. Para ele, compreender um texto (no caso, um doente) é encadear um novo discurso no discurso do texto. Isto supõe que o texto seja aberto (que uma boa propedêutica tenha sido feita).
Ler é apropriar-se do sentido do texto (avaliar, estudar, discutir com o próprio interessado). De um lado não há reflexão sem meditação sobre os sinais e as evidências; do outro, não há explicação sem a compreensão do mundo e de si mesmo.
Resumindo:
Procure saber se o seu médico é especialista em Propedêutica, Hermenêutica, Tecnêutica ou em Enrrolonêutica ou em Economêutica.
Não é difícil saber – basta atenção e um mínimo de QI.
Questões interessantes a serem observadas:
Quem pediu os exames? Você ou o seu médico?
Ele lê os exames ou os estuda?
Dica:
Você é uma pessoa Tecnêuta ou Hermenêutica?
(Continua).
quinta-feira, 13 de maio de 2010
A SABEDORIA DO SEUI JOÃO
Sou atraído pelo simples - tenho alguns amigos especiais; dentre eles um paciente que chamo carinhosamente de Pai João; um senhor aí dos seus quase oitenta anos – com jeitão e sabedoria de Preto Velho; ás vezes quando olho prá ele, a impressão que tenho é de estar vendo duas pessoas superpostas; só que a miragem tem cabelos mais brancos.
Da ultima vez que o vi, aprendi mais um pouco.
O que me conta Seu João? – Tudo véio qui nem eu seu moço!
E a família? – Tô aprendendo a lidá cum eles! – Tô quasi virando água!
Seu João é uma daquelas pessoas que conforme o tempo passa consegue transmitir sabedoria a olhos vistos. No começo eu tinha certa dificuldade para entender seu linguajar; mas, com o tempo fui me habituando e até a achar interessante e poética sua forma de ver e de colocar as coisas do dia a dia – em muitos aspectos ele me ajudou a mudar minha forma de ser e de ver o trem do mundo.
Sua vida para quem a assiste de fora tem a impressão de ter sido muito sofrida. Segundo minha forma de sentir as coisas; se nós achamos que temos problemas de todos os tipos e de relacionamento humano; em comparação aos dele; nós nos enganamos; os nossos são de criança e os dele foram de gente grande.
Somos parte importante dos problemas uns dos outros:
De certa forma nossos relacionamentos ainda são mais ou menos complicados tal e qual nossa ecologia íntima; claro que os simpáticos, harmônicos e amorosos de bem querença são ainda raros.
Segundo seu João nós parecemos bodes marrudos dando cabeçada prá ver quem é mais forte. Os motivos são muitos, mas a base é a falta de qualidade pessoal da maior parte de nós; ele diz que somos seres muito interesseiros, “fominhas”.
O que predomina na formação da personalidade ainda são os chamados defeitos de caráter; que a rigor não existem, são apenas nossas características que se entrechocam entre elas e com as dos outros - a maior parte do tempo nossos desejos entram em confronto gerando o mal querer.
Como exemplo: o orgulho, na sua essência, é o amor que sentimos por nós mesmos; ligeiramente aumentado já gera desarmonia com outras pessoas.
Como equilibrar orgulho e humildade?
A tentativa de se tornar humilde à força, logo se torna covardia.
È preciso ser uma pessoa forte e determinada para forjá-la nas lidas e nas conquistas do dia a dia; como fez o seu João. Como ele; o realmente humilde nem sabe que é - desse modo, nem precisa se preocupar em demonstrar essa qualidade – segundo sua forma atual de ver a vida, ele apenas amansou seu desejos; no trabalho da lavoura aprendeu a dar tempo ao tempo e a esperar a hora de plantar e de colher. Diz ele que depois de certa idade a gente perde a pressa e não come mais nada verde nem crú. Dando risada ele diz que quando se vai ficando velho, a gente quer que o relógio ande para trás ou quer que o tempo passe devagar; prá vida demorar um pouquinho mais; daí a gente para prá matutar.
No seu jeito simples, manso e gostoso de falar e de ver a vida como ela é; ele tem suas tiradas que o divertem e a nós também; por exemplo: o rótulo que dá para algumas pessoas que conviveram com ele; é muito engraçado.
Durante a vida ele conviveu com algumas pessoas do tipo:
Pedra no caminho
As que impedem a realização de nossos desejos; atrapalham nossos planos ou estorvam nossas ambições; são tidas e sentidas como pedras no nosso caminho; e pelas quais desenvolvemos aversão, medo, antipatia.
Quem de nós nunca foi ou nunca teve pessoas pedra – no caminho pela frente?
Elas são problema?
Não – pois, pedras podem ser contornadas; atiradas para longe (nem sempre é interessante; pois pode gerar kharma); escaladas (quando passamos a compreendê-las e a aceitá-las como elas são; e passo a passo, vamos encontrando pontos de apoio comuns – nesse caso a satisfação é sempre maior); algumas podem ser galgadas num pulo só. Se as encararmos como obstáculos elas podem nos paralisar; criando um processo de antipatia ou aversão bem mais prolongado.
Segundo Seu João; foi com essas que aprendeu a querer virar água. Segundo ele, ela não perde tempo nem energia tentando afastar os obstáculos; apenas contorna e segue; flui. Essa dica dele foi boa; venho tentando colocar em prática essa forma de viver; e os resultados são bons; dão paz de espírito; e certa calma.
O que ele não me explicou na sua teoria é como algumas dessas pedras do caminho estão volta e meia á nossa frente, de novo. Talvez eu ainda seja uma água elástica, plastificada; finjo que fluí; mas, continuo no mesmo lugar? – provavelmente.
Ou nossas pessoas problema são ilusões? – Ou apenas nosso espelho a se refletir no armário da vida?
Há outro tipo – segundo ele esse é a criatura mais desengonçada:
Mala sem alça
Quando não temos soberania emocional com relação a alguns e pensamos ser, ou nos sentimos obrigados a carregá-los pela vida afora, dizemos que são as nossas malas.
Algumas até sem alça; ou até daquelas que abrem e deitam tudo ao chão.
Nesses casos, a viagem tão esperada no trem da vida; pode perder a graça; e a aversão e a antipatia por termos que carregar a bagagem, podem ser conseqüência da situação, e não um processo primário de interação.
Segundo ele no trem da vida quando a gente combina de carregar uma mala até determinada estação; tem que cumprir com a obrigação prá não voltar prá trás. Se a gente se enfezar e atirar pela janela é pior – vai ter que esperar outro trem (kharma).
Na teoria dele as malas não são pesadas; os carregadores é que são frouxos; quanto mais você pensa que a mala pesa; mais pesada ela fica.
Pior é quando você imagina ser o carregador, mas, é a mala.
Diz ele que no trem da vida prefere viajar quietinho no bagageiro e espiar a vida pelas frestas do vagão (momentos felizes); já que talvez ele mesmo seja uma mala difícil dos outros carregarem.
Perguntei se vale a pena colocar rodinhas na mala; prá ficar mais fácil de levar – disse ele: se você conseguir; mas, o terreno da vida costuma ser acidentado; se em alguns períodos só puxar; na hora de voltar a carregar pode parecer impossível conseguir.
As que deixam lembranças mais sofridas:
Pedra no sapato
Para passear pela vida nem sempre escolhemos o calçado correto – ás vezes nós somos atraídos pela beleza, pelo preço baixo; moda; ansiedade, pressa – e nos damos muito mal.
Pessoas pedras no sapato são matreiras (embalo); entram na nossa vida, assim como não quer nada e até podem causar grandes sofrimentos; pois, só nos damos conta depois do estrago feito.
Esse estilo de relacionamento além de estorvar e retardar projetos ainda causa; machucados e feridas difíceis de cicatrizar se você não jogar a pedra e até o sapato fora.
Também indica uma relação que pode tornar-se antipática ou com sensação de aversão.
Pedras no sapato podem ser mais facilmente descartadas no começo; embora deixem lembranças mais ou menos doloridas durante algum tempo.
Segundo Seu João essas foram as piores que surgiram em sua vida – ele manca até hoje.
Espinho no dedo
Relacionamentos tipo espetar o dedo pelo descuido e pressa, são fáceis de curar.
Esse tipo é mais ou menos ocasional.
Costuma aparecer de relações aparentemente neutras e que pode tornar-se complicadas, isso vai depender do tipo espinho, se pode ser totalmente arrancado ou se será expelido somente após inflamar ou através de uma cirurgia (isolada)...
Predador
São os sócios da nossa infelicidade.
A relação com o predador é sempre seguida de avisos subconscientes que podem ser ou não observados. E se a barreira da antipatia e da aversão é transposta a vítima está em sérios apuros. Surgem da associação de interesses que parecem ser comuns – mas, apenas para a vítima; pois, o predador sabe desde o começo muito bem o que quer.
Segundo Seu João ele foi boi de piranha muitas vezes até aprender – sobreviveu; mas, não aprendeu. Mas, o tempo passa e aprendemos ou aprendemos; hoje ele é boi arisco.
Olho gordo
A antipatia ao tipo que seca até pimenteira é instintivo e automático, alguns se denunciam pelo próprio padrão vibratório e outros conseguem enganar as pessoas apenas durante algumas vezes.
A receita do Seu João prá olho gordo é infalível: viver na moita; pois, quem procura acha; mas, não descarta um banho de sal grosso e um galinho de arruda no bolso.
Nó cego
Os atrapalhados na vida conseguem gerar antipatia e aversão ao longo da interação.
Identificar um nó cego assim de pronto não é muito fácil; mas, trapalhada, após trapalhada é fácil identificá-los; mas, é preciso um mundão de paciência para desatar os nós – arrebentar tudo é o impulso; mas, pode gerar muito kharma.
Segundo a receita do Seu João é fácil escapar antes de começar – quando alguém começa a te tentar enrolar – caí fora!
Caboclo mamador
Segundo Seu João: a meior manera de espantar os chupa cabras; os cabroco mamador é se afastar deles.
Os que costumam sugar a energia dos outros se identificam segundo o padrão vibratório. No entanto há pessoas que são sugadas com regularidade e não se tocam, nem percebem; ou percebem apenas que ficam sem energia quando a pessoa sai de perto.
Seu João não descarta algumas mandingas prá afastar esses bicho: fazer o sinal da cruz nas costas deles – deixar a vassouras de pé atrás da porta quando eles vêm na sua casa – jogar um punhado de sal grosso na porta de entrada quando eles forem embora – rezar um credo; e outras rezas brabas que minha finada mãe me ensinou.
Mas, Seu João e se essas pessoas forem da família?
Aí seu moço; só com muito amor no coração e fé; depois que aprendi isso, só faço o bem quando posso e nosso senhor Jesus Cristo me ajuda sempre. Já fui e já fiz de tudo na estrada da vida até já fui arrogante e vingativo; mas, nunca fiz o mal pros outro de cabeça pensada; também, não era flor que se cheire; era do tipo: bateu levou; eu não levava desaforo prá casa – hoje; não sei o que é desaforo.
É verdade que o senhor sabe a cura de muitas doenças?
Não seu moço; apenas faço algumas coisas que minha mãe Joana ensinou: benzimento de criança contra mau olhado; reza prá buxo virado; banhos e mezinhas com ervas, e outras coisinhas.
Por que eu não me curo?
Tal e qual você seu moço; que vive preocupado em ajudar e cuidar dos outros; e não se cuida nem se cura.
Acho que o senhor é um xamâ!
Sou não; seu moço; já ouvi falá que isso é coisa de índio, de pajé – eu sou apenas um preto meio véio que gosta da vida; das pessoas; das crianças, da natureza e dos bichos – nem escravo eu fui – sou até aposentado do INSS! – Minha mágica é continuar vivo! (rsssss)
Fui convidado prá visitar sua casa (sua tapera) – vou tomar um cafezinho dos bom; ver suas plantas de mezinhas e sua bicharada (faço idéia de quantos sejam – pois, quem gosta de bicho: bom sujeito é).
Depois conto mais – eu espero aprender umas receitas das boas com Seu João que me ensinou a tentar virar água e a plantar na minha cachola uma horta de abobrinhas (essa é muito boa; depois eu conto).
Inté.
Fiquem com Deus e nosso Senhor Jesus Cristo no coração.
Da ultima vez que o vi, aprendi mais um pouco.
O que me conta Seu João? – Tudo véio qui nem eu seu moço!
E a família? – Tô aprendendo a lidá cum eles! – Tô quasi virando água!
Seu João é uma daquelas pessoas que conforme o tempo passa consegue transmitir sabedoria a olhos vistos. No começo eu tinha certa dificuldade para entender seu linguajar; mas, com o tempo fui me habituando e até a achar interessante e poética sua forma de ver e de colocar as coisas do dia a dia – em muitos aspectos ele me ajudou a mudar minha forma de ser e de ver o trem do mundo.
Sua vida para quem a assiste de fora tem a impressão de ter sido muito sofrida. Segundo minha forma de sentir as coisas; se nós achamos que temos problemas de todos os tipos e de relacionamento humano; em comparação aos dele; nós nos enganamos; os nossos são de criança e os dele foram de gente grande.
Somos parte importante dos problemas uns dos outros:
De certa forma nossos relacionamentos ainda são mais ou menos complicados tal e qual nossa ecologia íntima; claro que os simpáticos, harmônicos e amorosos de bem querença são ainda raros.
Segundo seu João nós parecemos bodes marrudos dando cabeçada prá ver quem é mais forte. Os motivos são muitos, mas a base é a falta de qualidade pessoal da maior parte de nós; ele diz que somos seres muito interesseiros, “fominhas”.
O que predomina na formação da personalidade ainda são os chamados defeitos de caráter; que a rigor não existem, são apenas nossas características que se entrechocam entre elas e com as dos outros - a maior parte do tempo nossos desejos entram em confronto gerando o mal querer.
Como exemplo: o orgulho, na sua essência, é o amor que sentimos por nós mesmos; ligeiramente aumentado já gera desarmonia com outras pessoas.
Como equilibrar orgulho e humildade?
A tentativa de se tornar humilde à força, logo se torna covardia.
È preciso ser uma pessoa forte e determinada para forjá-la nas lidas e nas conquistas do dia a dia; como fez o seu João. Como ele; o realmente humilde nem sabe que é - desse modo, nem precisa se preocupar em demonstrar essa qualidade – segundo sua forma atual de ver a vida, ele apenas amansou seu desejos; no trabalho da lavoura aprendeu a dar tempo ao tempo e a esperar a hora de plantar e de colher. Diz ele que depois de certa idade a gente perde a pressa e não come mais nada verde nem crú. Dando risada ele diz que quando se vai ficando velho, a gente quer que o relógio ande para trás ou quer que o tempo passe devagar; prá vida demorar um pouquinho mais; daí a gente para prá matutar.
No seu jeito simples, manso e gostoso de falar e de ver a vida como ela é; ele tem suas tiradas que o divertem e a nós também; por exemplo: o rótulo que dá para algumas pessoas que conviveram com ele; é muito engraçado.
Durante a vida ele conviveu com algumas pessoas do tipo:
Pedra no caminho
As que impedem a realização de nossos desejos; atrapalham nossos planos ou estorvam nossas ambições; são tidas e sentidas como pedras no nosso caminho; e pelas quais desenvolvemos aversão, medo, antipatia.
Quem de nós nunca foi ou nunca teve pessoas pedra – no caminho pela frente?
Elas são problema?
Não – pois, pedras podem ser contornadas; atiradas para longe (nem sempre é interessante; pois pode gerar kharma); escaladas (quando passamos a compreendê-las e a aceitá-las como elas são; e passo a passo, vamos encontrando pontos de apoio comuns – nesse caso a satisfação é sempre maior); algumas podem ser galgadas num pulo só. Se as encararmos como obstáculos elas podem nos paralisar; criando um processo de antipatia ou aversão bem mais prolongado.
Segundo Seu João; foi com essas que aprendeu a querer virar água. Segundo ele, ela não perde tempo nem energia tentando afastar os obstáculos; apenas contorna e segue; flui. Essa dica dele foi boa; venho tentando colocar em prática essa forma de viver; e os resultados são bons; dão paz de espírito; e certa calma.
O que ele não me explicou na sua teoria é como algumas dessas pedras do caminho estão volta e meia á nossa frente, de novo. Talvez eu ainda seja uma água elástica, plastificada; finjo que fluí; mas, continuo no mesmo lugar? – provavelmente.
Ou nossas pessoas problema são ilusões? – Ou apenas nosso espelho a se refletir no armário da vida?
Há outro tipo – segundo ele esse é a criatura mais desengonçada:
Mala sem alça
Quando não temos soberania emocional com relação a alguns e pensamos ser, ou nos sentimos obrigados a carregá-los pela vida afora, dizemos que são as nossas malas.
Algumas até sem alça; ou até daquelas que abrem e deitam tudo ao chão.
Nesses casos, a viagem tão esperada no trem da vida; pode perder a graça; e a aversão e a antipatia por termos que carregar a bagagem, podem ser conseqüência da situação, e não um processo primário de interação.
Segundo ele no trem da vida quando a gente combina de carregar uma mala até determinada estação; tem que cumprir com a obrigação prá não voltar prá trás. Se a gente se enfezar e atirar pela janela é pior – vai ter que esperar outro trem (kharma).
Na teoria dele as malas não são pesadas; os carregadores é que são frouxos; quanto mais você pensa que a mala pesa; mais pesada ela fica.
Pior é quando você imagina ser o carregador, mas, é a mala.
Diz ele que no trem da vida prefere viajar quietinho no bagageiro e espiar a vida pelas frestas do vagão (momentos felizes); já que talvez ele mesmo seja uma mala difícil dos outros carregarem.
Perguntei se vale a pena colocar rodinhas na mala; prá ficar mais fácil de levar – disse ele: se você conseguir; mas, o terreno da vida costuma ser acidentado; se em alguns períodos só puxar; na hora de voltar a carregar pode parecer impossível conseguir.
As que deixam lembranças mais sofridas:
Pedra no sapato
Para passear pela vida nem sempre escolhemos o calçado correto – ás vezes nós somos atraídos pela beleza, pelo preço baixo; moda; ansiedade, pressa – e nos damos muito mal.
Pessoas pedras no sapato são matreiras (embalo); entram na nossa vida, assim como não quer nada e até podem causar grandes sofrimentos; pois, só nos damos conta depois do estrago feito.
Esse estilo de relacionamento além de estorvar e retardar projetos ainda causa; machucados e feridas difíceis de cicatrizar se você não jogar a pedra e até o sapato fora.
Também indica uma relação que pode tornar-se antipática ou com sensação de aversão.
Pedras no sapato podem ser mais facilmente descartadas no começo; embora deixem lembranças mais ou menos doloridas durante algum tempo.
Segundo Seu João essas foram as piores que surgiram em sua vida – ele manca até hoje.
Espinho no dedo
Relacionamentos tipo espetar o dedo pelo descuido e pressa, são fáceis de curar.
Esse tipo é mais ou menos ocasional.
Costuma aparecer de relações aparentemente neutras e que pode tornar-se complicadas, isso vai depender do tipo espinho, se pode ser totalmente arrancado ou se será expelido somente após inflamar ou através de uma cirurgia (isolada)...
Predador
São os sócios da nossa infelicidade.
A relação com o predador é sempre seguida de avisos subconscientes que podem ser ou não observados. E se a barreira da antipatia e da aversão é transposta a vítima está em sérios apuros. Surgem da associação de interesses que parecem ser comuns – mas, apenas para a vítima; pois, o predador sabe desde o começo muito bem o que quer.
Segundo Seu João ele foi boi de piranha muitas vezes até aprender – sobreviveu; mas, não aprendeu. Mas, o tempo passa e aprendemos ou aprendemos; hoje ele é boi arisco.
Olho gordo
A antipatia ao tipo que seca até pimenteira é instintivo e automático, alguns se denunciam pelo próprio padrão vibratório e outros conseguem enganar as pessoas apenas durante algumas vezes.
A receita do Seu João prá olho gordo é infalível: viver na moita; pois, quem procura acha; mas, não descarta um banho de sal grosso e um galinho de arruda no bolso.
Nó cego
Os atrapalhados na vida conseguem gerar antipatia e aversão ao longo da interação.
Identificar um nó cego assim de pronto não é muito fácil; mas, trapalhada, após trapalhada é fácil identificá-los; mas, é preciso um mundão de paciência para desatar os nós – arrebentar tudo é o impulso; mas, pode gerar muito kharma.
Segundo a receita do Seu João é fácil escapar antes de começar – quando alguém começa a te tentar enrolar – caí fora!
Caboclo mamador
Segundo Seu João: a meior manera de espantar os chupa cabras; os cabroco mamador é se afastar deles.
Os que costumam sugar a energia dos outros se identificam segundo o padrão vibratório. No entanto há pessoas que são sugadas com regularidade e não se tocam, nem percebem; ou percebem apenas que ficam sem energia quando a pessoa sai de perto.
Seu João não descarta algumas mandingas prá afastar esses bicho: fazer o sinal da cruz nas costas deles – deixar a vassouras de pé atrás da porta quando eles vêm na sua casa – jogar um punhado de sal grosso na porta de entrada quando eles forem embora – rezar um credo; e outras rezas brabas que minha finada mãe me ensinou.
Mas, Seu João e se essas pessoas forem da família?
Aí seu moço; só com muito amor no coração e fé; depois que aprendi isso, só faço o bem quando posso e nosso senhor Jesus Cristo me ajuda sempre. Já fui e já fiz de tudo na estrada da vida até já fui arrogante e vingativo; mas, nunca fiz o mal pros outro de cabeça pensada; também, não era flor que se cheire; era do tipo: bateu levou; eu não levava desaforo prá casa – hoje; não sei o que é desaforo.
É verdade que o senhor sabe a cura de muitas doenças?
Não seu moço; apenas faço algumas coisas que minha mãe Joana ensinou: benzimento de criança contra mau olhado; reza prá buxo virado; banhos e mezinhas com ervas, e outras coisinhas.
Por que eu não me curo?
Tal e qual você seu moço; que vive preocupado em ajudar e cuidar dos outros; e não se cuida nem se cura.
Acho que o senhor é um xamâ!
Sou não; seu moço; já ouvi falá que isso é coisa de índio, de pajé – eu sou apenas um preto meio véio que gosta da vida; das pessoas; das crianças, da natureza e dos bichos – nem escravo eu fui – sou até aposentado do INSS! – Minha mágica é continuar vivo! (rsssss)
Fui convidado prá visitar sua casa (sua tapera) – vou tomar um cafezinho dos bom; ver suas plantas de mezinhas e sua bicharada (faço idéia de quantos sejam – pois, quem gosta de bicho: bom sujeito é).
Depois conto mais – eu espero aprender umas receitas das boas com Seu João que me ensinou a tentar virar água e a plantar na minha cachola uma horta de abobrinhas (essa é muito boa; depois eu conto).
Inté.
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